quinta-feira, 30 de abril de 2015

*Cenário (entre dois)*





Por serem leves
(os teus toques),
Renascem em meus poros
(quando eriçados),
Flores.
Cores.
E sabores.
(os teus).

Escreves em braile,
Quando a minha nuca beijas.
E por sobre a minha pele
(alerta às carícias),
(tão tuas),
O teu cheiro,
É leve.
(mas nunca breve).

A cama,
No instante (nosso),
Sagrado,
Santo,
Não menos insano,
À vontade se incendeia.

Teu peito no meu.
(valha-me Deus),
Abafa o gemido
(doce libido).
Sedução em meu ouvido.

E quando os teus olhos,
Sem a minha permissão,
(sacrossanta invasão!),
Saboreiam o meu melhor vinho,
Rasgo-te a pele.
Firo-te os ombros.
(faço).
(e te traço).

Mudo o cenário,
A cena refaço,
(desligo as luzes),
E...

Recomeço.




quarta-feira, 29 de abril de 2015

*Sinfonia (a quatro mãos)*




Dedilha-me as notas.
Clave de sol dos teus dedos.
Emaranhados em meus cabelos,
(pautas musicais).
Ajuste no compasso.
(passo-a-passo).

Rege-me a boca molhada.
Conduza-me na acústica dos teus versos.
Acordes côncavos.
(corpos convexos).
(os nossos).

Nos teus intervalos,
Descanso-me.
Sacio-me.
Alimento-me.
(entre uma e outra alternância).

E à vontade
(na tua e na minha cumplicidade),
Improvisa-se a música,
Celestial sinfonia.
Som e cheiro, em harmonia.

Dal Capo al Fine.
(Do começo ao fim).

*Ausência (absoluta)*



Desnudas a minha alma.
Sempre.
Nesse silêncio recoberto em véus.
Pela noite.

Gritas um amor incompreensível,
Em tortuosos lamentos.
Falta-me o entendimento.
Falta-me um tino de loucura,
Para saber vivê-lo.

Mudo as sílabas,
Desfaço as rimas.
E decreto,
(displicentemente),
Que a razão escapa-me pelas mãos.

(Antecipaste a hora).
(Foste embora).

Insistes numa ausência gélida,
Mórbida.
Brandura calada no peito.
Não há como ler-te os pensamentos.
Não há como saber-te.
Porque o fizeste?
Porque te foste?

A verdade não é absoluta.
(tampouco a resposta).

A tua é ausência.
A minha:
Poemas em vão.

terça-feira, 28 de abril de 2015

*Considerações (de uma noite)*




Diria que os teus olhos são como chamas.
A cada curvatura que meu corpo esculpe
(quando a noite ainda em silêncio),
Na obscuridade de tua órbita,
Incendeiam-se.

Diria que a tua boca é como lava.
Um rio de aventuras,
(de desejos).
Vulcão em erupção.
Em mim,
Sacia-se.

Diria que as tuas mãos são como embarcações.
Navegam sem rumo.
Não há pressa de chegar,
(sabe-se lá onde).
No oceano,
(meu),
Banham-se.

Diria que a tua imaginação é como um porto.
Abrigo seguro.
Impuro.
Meu lugar (nosso),
Vivido.
Dividido.
Consumido.

Acabo não dizendo nada.
Não há razões.
Sabes que não há.
(tenho sons, nas palavras).
(tenho gestos, nas intenções).
A ti interligada.

E fica o silêncio.

A única resposta,
Que demarca o limite entre o teu corpo,
E a minha insanidade.



segunda-feira, 27 de abril de 2015

*Fôlego*



Prenda-me o fôlego,
Aos teus atos impensados.
Deliberados.
(incendiados).

Lava-me a boca,
Às tuas palavras.
Quentes.
(indecentes).

Funde-me o corpo,
Aos teus devaneios.
Insensatos
(deliberados?).

Rompe-me a alma,
Às tuas partículas que vertem.
Em gotas.
Magistrais.
(em nós).
Irracionais.

E no deliberar das tuas ânsias,
Num murmúrio compartilhado,
Salta-me (aos olhos),
A tua cumplicidade.
A nossa intimidade.
(tão latente).
Irremediavelmente,
Displicente.

domingo, 26 de abril de 2015

*Palavras (não ditas, sentidas)*


Há sempre um luar,
Que escorre dos teus olhos,
Pacíficos.
Nítidos.
Como a luz diante da escuridão.
(Há de se ter uma razão).

Há sempre um apelo,
Que verte das tuas mãos,
Inquietas.
Incertas.
Como num gesto precipitado.
(Por ti calculado).

Há sempre um mistério,
Que viaja,
Num desejo todo teu.
(Unido ao meu).

Há sempre um sonho.
Um suspiro,
Um gemido.
(Não sendo dor).
(Puro amor).

Há sempre uma ternura,
Que sai da tua boca,
Muda.
Calada.
Como num toque sutil.
Como palavras sentidas,
(E quase não ditas).

Há sempre um silêncio.
E sempre uma saudade.
(que sai do teu peito).

E que me invade.

sábado, 25 de abril de 2015

*Voil*







Descubra-me,
(mulher)
Na leveza da imagem,
Que por cenas
(as do espelho),
Incendeiam os teus olhos.


Grita-me,
(este teu jeito, do jeito terno)
(de amar).


E mistures,
No desenrolar (ou enrolar),
De pernas e braços
Teus desejos secretos.
(sei que os tem).


Desconcertes o meu olhar,
(que do teu não sai).


Coloques a tua ânsia,
(confessastes num poema),
Entre os seios meus.
D’onde vem a tua calmaria.
(disseste que tocaram a tua camisa)
(tocaram?)


E ainda que digas,
Que não precisas de nada,
(a viagem tornou a toalha molhada),
Encontrar-me-ei no quarto,
N’algum encontro.
N’alguma cortina de “voil”.


Transparência tua.
Nua.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

*Diga-me (do teu jeito)*




Diga-me,
(sem que precises de muitas palavras),
Das mágoas que te ferem a alma,
Das tristezas que te invadem o caminho.
Diga-me (com calma).
Tens em meu colo,
O teu ninho.

Diga-me,
(ainda que seja com os olhos úmidos),
Desta enormidade de sentimentos,
Das dores que te rasgam o peito.
Diga-me (do teu jeito).
Tens em meus ombros,
O teu alento.

Diga-me.
Deste sonho que te acompanha noite adentro
(dormistes, sem perceber).
Das pequenas coisas construídas.
Da tua alma carente.
Impotente.

Mas diga-me de coração aberto,
Sem medos,
Sem anseios.
Em teus devaneios.

E se te faltarem as palavras,
Por terem coisas que não cabem no peito,
(e é longa a madrugada),
Não digas nada.

Aninha-te em meu regaço.
E descanses em meu abraço.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

*Silêncio (num murmúrio)*



Permita-me confessar,
Em baixa voz,
Dessa doçura que sai dos teus lábios,
Em dádiva divina.
Porque o meu rosto,
Tem para ti,
Um sorriso largo.
Maior do que o próprio mundo.

Permita-me fechar a boca,
Nesse silêncio represado.
Que ainda que sufoque,
E amordace,
Consome palavras que não sei expressar.
Letras tortas.
Meio mortas.

Permita-me dizer-te,
(Não sem esforço),
Dessas coisas que mereces ouvir:
Sei (e sabes da mesma forma também),
Que tudo o que te direi,
Morrerá em segredo,
Aqui dentro.

Atiro frases soltas.
Arranco para ti versos fartos,
Dispersos.
Desconexos.

São coisas faladas.
Ditas.
Sentidas.
Que amadurecem,
E que ficam suspensas.
Entre uma confissão,
O perdão,
E o profundo silêncio.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

*Entardecer (numa só verdade)*



Cai a tarde morna,
Afogada em sorriso leve,
E no vidro baço da memória,
Entardece o teu olhar.

Abraço estrelas,
Apagadas na aridez de palavras mudas,
Sem gestos,
Que se despedem do viço de outrora.

O lume do olhar,
Acena à saudade, de longe,
Rasgando espaços do firmamento,
E a ti não encontro mais,
Nestas pétalas murchas,
Que o outono empurra, teimoso,
Tão frio e sem guarida.

Nunca te soube, quiçá em imaginação,
E nas letras, que pelas lágrimas escorrem,
O peito teima.

Teima em ardente chama que o vento apaga,
E o perfume de jasmim,
Que colore os dias agora desbotados,
Esvoaça por entre os dedos.

Amanhecerás em poesia,
Decantada
E encantada, numa saudade?

Esvazio-te de minhas mãos,
Deixo-te um sonho embriagado,
E por querer-te demais, nesta impossibilidade,
Beijo o silêncio,
Que a brisa leva, ao encontro da tua despedida

*Nunca (por ser eterno)*




Nunca te imaginei feito um verbo,
Parido em meu ventre de amor,
Ao dar a luz aos meus olhos,
Perdidos na dor.

Nunca te senti na intimidade,
Em alma materna,
Que doa a vida,
Em misericórdia,
Alegria tão sentida.

Nunca te senti ao léu,
Feito órfão abandonado,
A procura da esquecida identidade,
No reencontro da felicidade.

Nunca (por ser eterno),
Amei-te tanto,
Feito embalo de canção de ninar.
A soar,
No sorriso infantil do teu sono.

Quando finda todo o meu pranto.

**Inebriante** (a nós)



Das mãos,
Trago-te alento,
Em dias sofridos,
Em que tudo no peito dói.
Mas não destrói.

Dos gestos,
Mostro-te (se quiseres) um caminho de luz,
Por estradas desconhecidas,
A mim e a ti,
A serem percorridas.

Da voz (esta que conheces),
Sonorizo-te o embalo de uma canção,
Composta numa só partitura,
Regida por duas vidas,
Infindas.

Mas do carinho,
Resta-te (a nós),
Este perfume inebriante,
Marcante,
E demasiadamente intenso.

E basta.

É tudo o que fica.
E tudo o que testifica.
Quando entre nós,
Não perdura, nunca,
Uma despedida.

**Entrelaçado**


Da tua voz,
Falta-me um som.
Imperceptível,
Aos meus sentidos, audível.

Da tua pele,
Falta-me o cheiro.
Instigante.
Ao meu olfato, inebriante.

Dos teus olhos,
Falta-me a malícia.
Fatal.
Ao brilho dos meus, imortal.

Do teu corpo,
Falta-me quase um nada.
Tenho-o presente.
Irreverente.
Intenso e quente.

E num único querer,
Fica assim,
Eternamente,
Entrelaçado ao meu.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

*Anjo (feito homem)*



Não me livres deste mal,
Que contorce a minh’alma,
Por ter-te aqui (ao lado meu),
Guerreiro, em proteção.

Unge meu peito,
Em luz celestial, que esparge deste amor,
Não irreal.

Santifique a minha (e nossa),
Vida.
Bendita.
Nunca interrompida.

Anjo (feito homem),
Descido do céu (em carne viva),
Une a tua fronte,
À minha fonte.

Estejas aqui (pelo tempo certo),
Em eternidade.
Total cumplicidade.

Em tuas asas (vivas em mim),
Desfaça os erros.
Apague os medos.

Tua vinda (inesperada),
Transformou a minha vida,
Em uma única Vida.
E quebrantou a minha saudade.


Feito Anjo.
Feito Homem.

*Leveza (quando em ti)*




Ao toque do linho frio,
Em testemunha daquilo que se reparte,
Entre tantos sons (só nossos),
Faz-se o despertar.

Na intimidade do verbo entoado,
Em segredo que se esconde no sentir,
Acendem-se aos olhos (os nossos),
Tanto a se dizer.

Na sutilidade dos gestos,
Que mesmo em fúria,
Une a tua vontade à minha,
Fico assim: calada.

Mas é na leveza da tua alma,
(Quando em ti),
Que me encontro.
Que me extasio.

Sorrio e não me perco pelo caminho.

Cálice (bendito seja).



Toma-me em cálice sagrado,
Em tua boca infame, no pecado que seja santo,
Na demora dos teus dias em penitência,
Como fonte divina da redenção.

Blasfeme a tua ira,
Em arrependimento,
No perdão que não te é lícito,
Nem pela água benta que te fecha os lábios.

Vergue os joelhos,
Pela derrota que não ousas confessar,
Na tirania insolente em que me julgas,
Porque o inferno, as portas não te abrem.

Clames pelo juízo (o final),
E pela cruz santa que te absolve,
Que redime os pecadores insanos,
Que lava o teu corpo (um dia meu),
Curando as chagas.

Vinho santo (o meu),
Que purga os teus dias,
E cujo perdão,
Encontrarás somente,
No dia da tua libertação.

domingo, 19 de abril de 2015

Miudezas (em palavras) – parte I





Do que verte entre os meus dedos,
Inconsequentes,
Irreverentes,
Em candura pela tua face,
Desabrocha um pequenino verso.
Um alento.

Tua suavidade em sentimentos,
O palpitar de alma tão sublime,
Esmiúça em verbo a sublimidade d’um coração,
Que de ternura é lançado pelo vento.

Flor marcada por espinhos,
Em cujas pétalas,
Macias e doces como o linho,
Transbordam aromas de alecrim,
Bordando infinita paz.

Constelações em estrelas brilhosas,
Reverenciam tamanha enormidade que me sai do peito,
Assinalando a nobreza,
Numa fronte perfumada.
Iluminada.

Miudezas.

Que embora, de tal forma, sejam tão pequeninas,
Engrandecem o coração dos que choram.
Dos que aguardam.

Pela simples dádiva da tua presença.
Pela simples dádiva de uma única certeza:
A vida


Em seu esplendor e beleza.