sexta-feira, 4 de outubro de 2019

*Ao teu domínio*



Decerto a solidão amanhece,
E retenho em minha escrita voraz,
Este fogo febril,
- Tirado da tua língua acesa.
Guardo em meu corpo,
Tua insanidade que me mantém cativa.
- Ao teu domínio,
- Ao teu poder.
Tu podes me alcançar,
Entre gestos fortes,
- Delirantes,
Saboreando os meus desejos,
- Que a ti pertencem.
Pelo meu ventre adentras,
Nas entrelinhas de olhares que chamam.
- Nos dedos assinas declaração da tua posse,
- E do teu querer,
- Consonante ao meu.
É na tua boca,
Que entrego a saudade,
- Desejo e fúria.
- Desmedida luxúria.
E meu corpo dança,
Num bailado em frêmito.
Somente tu podes conceber,
- Sorver em extasia.
- Puro mel,
Que em taça única, de fino cristal,

- Adorna e adoça o teu paladar...




*Sagrado*


Do lado oposto do silêncio,
- Tão meu companheiro,
É Sagrado vislumbrar o toque de mãos cálidas,
Que sustentam esta forma ardente e voraz,
De sobreviver...
Presas estão as promessas veladas,
Sussurradas ao som da meia noite,
Quando o corpo descansa em lençóis emaranhados.
Devoro todos os segundos e me lanço em memórias,
Como pequeninos pontos de luz,
Espargidos pelo céu e, fatalmente,
Anoitece...
- Sempre anoitece dentro de mim...
Sem reconhecimento de lugares e imagens,
Solto-me em fantasias – pueris,
Mas que, de sobremaneira, são muito mais doces que o sabor de caramelo,
Que lambuzam os dedos...
- E tantos desejos...
Revivo aquele azul cobalto intenso,
De mil estrelas por testemunha,
Desta hora marcada - e exata,
Em que nada seria mais perfeito,
Que o próprio amor perfeito.
Ainda restam janelas abertas ao vento.
E mesmo que o sonho ainda não reconheça o caminho por onde anda,
E todas as verdades sejam inverossímeis neste pequeno espaço,
-Tão meu,
É Sagrado o despontar da claridade do dia,
- E a presença sutil que me trazes e que me alegra.
É Sagrado.
É Santo e é demasiado Bendito,
Todos estes meus passos,
Que me levam para dentro dos teus olhos...


*Momentos*


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Não são apenas momentos.
São tons púrpuros da minha pele, que em teus breves apelos,
Reluzem...
São sons perpétuos, dentro da minh’alma,
Onde todos os meus anseios,
Sobrevivem...
É a verdade que em teu solo sagrado, se desnuda.
Desta infinita sentença afetiva, que nunca muda.
Não são apenas momentos.
São clamores do teu amor bendito,
Num solo fincado em dor, (ah! tempo de outrora),
Nunca e jamais esquecido.
São palavras insanas do teu olhar profundo,
Que revestido em meu céu dourado, tudo revelam.
Entre conexões de almas, que sempre se completam.
Não são apenas momentos.
É o meu eu,
Curvado à esperança do teu.
É a tua voz, que o meu nome sempre pronuncia,
Pela manhã e arrastado até o final do dia.
Não são apenas momentos.
Somos nós,
Desatando os nós,
Proclamando a tua presença tão distante,
Onde o tudo, seja talvez o nada, sussurro borbulhante.
É o lado oculto da outra face dum poema.
Que em meu peito arde e queima.

É a tua santidade que paira no ar...

Trazendo-me a paz.

Para que em teus sonhos,
Infinitamente,
Eu possa, num dia esplendoroso,

Finalmente, descansar....


*Embriaguez*




Sorvo cada pedaço teu,
- Presente em toda palavra tua,
- Entrecortada em teu gesto insinuado.

Vens assim,
- Em nuas vontades,
Letra por letra,
- Enlaçando meu abraço,
- Roubando todos os meus lados.

Leio e releio,
- As tuas intimidades.
- A cada pausa,
- Em cada suspiro cobiçado.

Maestro de mãos prazerosas,
- Desde o ventre aflorado até a boca farta.

- A pele urge em desvendar-te,
- Saber-te apenas por uma letra:
- Frenesi d’uma única composição.

Arfante de minhas memórias,
Embriagada fico,
- No vai e vem da tua saliva licorosa!

Devota de todo o teu querer,
- Da tua cupidez irrefreável.
- Paladar insaciável.


- És, também, toda minha despida,

- Aveludada,

- E esboçada ousadia...!!!




domingo, 10 de março de 2019

*Corpo Nu*


Nada mais quero que a singeleza do teu abraço,
Neste meu corpo nu e santo que a ti faz-me devota.

Tua verve poética enaltece os meus lábios molhados,
E teu jeito imperdoável me transfigura as vestes,
Que se rasgam e se abrem às tuas confissões.

Fica subtendido entre as tuas palavras e o meu silêncio,
Todos os desejos incontestáveis,
Que há tempos distanciaram-se de nós.

O poema, então, é cantado a cada vontade,
A cada olhar nosso, que deságua até o momento final.

Torno-me confessa em minhas divagações,
Ao cerrar a porta desse local único:
Nosso momento esperado.

E quando vais, sem olhares para trás,
Sem sequer dizer “até qualquer dia”,
Meu sorriso se espalha pelo canto da boca.
E os meus olhos em brilho,
Anotam o endereço da tua malandragem.

Teu retorno é o meu presente.
O teu beijo...
A marca de tudo aquilo que ainda não foi confessado.

És assim. Jeito perfeito,
Que eu reverencio...!!!


domingo, 17 de fevereiro de 2019

*Um Poema*



“Quisera poder amar-te e repetir-te dentro de mim,
Num verso escrito por ti.
Infinitamente.
Por não saber das palavras que pretendes usar,
Torno-me,

 em ti, Um Poema”.


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Roubaste um pedaço do meu corpo.
E guardaste a estação outonal do meu amor em palavras.

Deixaste em mim o paladar das entregas, sem receios.
Pedaços de desejos à espera de uma tarde de sol.

Uniste a loucura da minha face ruborizada,
À da tua mão colada à minha. Intencionalmente.

Fechaste os olhos à minha timidez,
Quando nua não pude negar-te sentimentos.

Largaste-me a falar sozinha,  em noite fria de desolação.
Quebraste tudo. Em pequenas partes.

Mas por certo não levaste a minha sublime devoção.

*Há nos olhos um brilho de Lua*


É lá, onde um raio de luz  toca o infinito,
Que meu abraço abraça o azul irreverente do mar.

Da fonte donde brotam  águas vivas,
Tenho como presente a perfeita nitidez de que,
Se pudéssemos ser um ponto que brilha, na escuridão,
Teríamos como atravessar tantos desertos.

Mas não vivo apenas para contemplar estes mistérios.

Sou um vasto espaço dentro de mim mesmo,
 A observar  certos deuses que,  por ora, não ousam  dos céus descer.

Descubro que chorar as incertezas,
É caminho longo de exaustão.

Seja fora do céu, ou fora da terra,
Ainda há um brilho de lua, no olhar.

E passo a acreditar, que o Paraíso,
Não é apenas um lugar.

É a minha própria alma, procurando  onde aportar.