quinta-feira, 10 de março de 2016

*Fazes parte de mim...No jorrar d’uma Cascata... quando alinho o meu Amor e quando adio o Tempo*



Fazes parte de mim...
Assim como um rosto no espelho... refletido...
Talvez como um sentir que corre pelas minhas veias,
Porque sei que és alma pura....
Sei que és sonho...és cascata de silêncios... que jorram em efeito mágico,
Sem que eu possa explicar, pois me faltam os sentidos que ecoam quando penso em Ti....

Chego a sentir, desde sempre, 
Esse tempo invertido....esse espaço que floresce como raiz profunda,
Ligando as promessas, adiando os impedimentos,
Garantindo que as tempestades não nos atrasarão,
Não nos farão cair em vícios e em despedidas que nunca chegarão ao final....

Belo e Doloroso!
Santo e Cruel!
Leve e Aquebrantado!

Sei como é a liberdade de querer transpor a alma,
De transformar em doçura todas as palavras,
Que não cabem no peito....
E de construir essa respiração que não encontramos, seja lá onde quer que ela esteja...

Tenho a esperança como norte... como sendo o confidente das lágrimas que brotam,
A cada passagem dos olhos, a cada horizonte que desenha a minha saudade....
Sorrateira... 
Testemunha fatal e itinerante...


Me expresso em voz baixa....



Na respiração que o meu sentimento busca,
Na miragem dos dias que sorriem,
Na doação que encontro quando tua voz ressoa...
No céu distante que abriga a minha ilusão....

Talvez a certeza da minha inspiração possa ser como a oração...
Sagrada....Beatificante...
Que da boca é exaltada e pronunciada no altar dos teus olhos....

Fazes parte de mim...
Habitas em meu ventre e acobertas a minh’alma...
Consegues brotar nesse meu lugar mais secreto e escondido....
Onde alguém jamais poderá me encontrar....

Aqui...
Dentro da tua Felicidade....








*No encontro do teu peito, o caminho de um Abraço...*



Por enquanto, aquieto-me aqui...
Recolhendo entre os dedos o pranto, que não se faz tardio,
E que desce morno e calmo,
Apertando um nó embaralhado, dentro do peito...

Por enquanto, teço segredos que se calam dentro das minhas possibilidades,
Planejando as horas,
Na tentativa de poder confessar que a minha saudade adormece na memória,
Não sabendo, nunca, como expressar o vazio que vai por dentro...

Todos os segundos são gestos aprofundados,
Que guardo com carinho, quando quedam, 
Espalhados pelo chão...
Recolho-os seja no findar de uma tarde, que cai lenta,
No iniciar de uma noite, que surge morosa,
Ou até mesmo no romper de um novo dia, 
Que nada promete,
Porque talvez, algo, nunca poderá cumprir...

Entendi que os distanciamentos não são assim tão longos,
Eles encaixam-se na medida exata, aquém da própria Razão...

São apenas fantasmas superficiais, 
Que teimam em fazer de moradia, os desejos que consideramos impossíveis...

E foi nesse emaranhado imposto pelo Destino,
Na confusão escancarada do meu caminhar,
Que me escondi e fugi de todo e qualquer entendimento...
Que percebi que as letras da Vida podem ser rascunhadas a ermo,
Ainda que não sejam lidas,
Tampouco compreendidas...

Quanto mais penso na brevidade dos dias,
Quanto mais percebo os pontos de interrogação que se acercam da minha janela,
Mais me convenço de que a minha alma ainda consegue sorrir...
Mais me convenço de que os meus olhos ainda podem resistir...

E quando chegas de retorno, 
Naquela vinda que é sempre tão esperada,
E inesperada,
Esqueço-me das mágoas,
Dos sonhos inacabados,
E de tudo aquilo que me parecia efêmero...

E fico assim, envolvida em plenitude, 
Em teu abraço quente,
Terno,
Único, 
E Acolhedor...




sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

* Em Estado de Graça *


*Existem alguns lugares,
E certos momentos,
Que não são assim, tão difíceis de tocar...

Existem palavras,
Nem sempre perdidas,
Que se entrelaçam em dedos ávidos,
E atrevidos,
Que suspiram bordados e são aureolados de sentimentos,
E que não são assim,
Tão difíceis, de serem escritas...*



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É na veracidade do brilho que perpassas na pele,
Que recai manso, ininterrupto, de dentro desse tempo perfumado,
Que consegues me presentear,
Sempre,
Num ‘harmonia celestial,
A partilha que divido contigo, nesse calor vestido em seda,
Quando me aconchego, debruçada em teu peito amoroso,
Em trajes de liberdade....

Vivifico a doçura santificante e pura,
Que resplandece visceralmente de nós,
Partindo direto de um raio vivo,
Numa prova nítida de imagens e sons,
Que exalam da tua boca...
Cúmplice à minha...
Libertando-me dos meus fantasmas e dos meus grilhões...

Escreves,
Pelo meu corpo,
Com as pontas dos dedos,
Pingos doces de esperança...
E alcanças a minha retina,
Tão profundamente e em plenitude,
Que ainda que me falte o ar que me sustenta os dias,
Sobrevivo apenas por ter-te sereno e em estado de graça...

Não ouso abrir os olhos,
Por medo de interromper a languidez de nossos gestos,
E temerosa em não conseguir abafar a continuidade do que me apraz,
Ao perceber constelações, quando me tens por inteira...

Extasio-me assim,
Olhando inerte, a fluidez do ar que respiras,
A mansidão do teu abraço,
E o afago atemporal que transmites,
Quando tocas os meus cabelos, emaranhados em teu corpo,
Como riacho cerceando as cálidas rochas...


Inerte ao tempo, ficamos assim...
Silenciosamente dominados...


Antes que o cansaço nos alcance,
Antes mesmo que o sono nos renda...


Por inteiro....



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

*E tudo sempre foi, desde o Princípio... Até o fim da Eternidade.....*





É aqui, nestas entrelinhas,
Que divido o teu silêncio com a minha alegria...

Do fundo do coração, no peito errante de quem sente,
Consegues imprimir, em minhas veias, a sensação das pálpebras que fecham,
A cada olhar meu que é sustentado pelo teu....

Ainda posso ver o teu rosto refletido no céu da minha boca,
Sentir a partilha deste tempo que contigo divido,
E este afago tão mágico,
Que a cada instante presencia a aurora dos teus dedos...
A me confortarem...
A me mostrarem o caminho exato do prazer que encontramos na nudez de nossos lábios...

Enganas-te se pensas que não percebi que agora já és parte de mim...
Parte de uma vida que caminha perdida há séculos,
Para que o anseio de estar junto a ti,
E que hoje vivo,
Seja tão meu quanto teu...

Tudo tão claro...
Tudo tão reconhecidamente declarado que não há como esconder,
Que tu’alma doce será sempre gêmea a minh’alma...

Mas ainda assim, desde sempre,
Desde o Princípio – como sempre foi,
Mesmo sentindo a secura dos desertos e sentindo na pele as torturas que a vida nos infligiu,
Continuo tendo a nítida certeza que os nossos passos vingarão em flor,
E todo o afeto será a raiz mais profunda,
Orvalhada pela água santificada,
Que nos unirá em real esperança...

Tão Doce,
E ao mesmo tempo tão Divino....

Teimo em ouvir o eco da tua voz,
O som dos teus passos,
E me convenço de que essa é a única chance de redenção,
Que posso obter,
Vivendo em plenitude, ao teu lado, como tem sido...

E aqui me finco, no solo sagrado da minha memória ,
Apenas para tocar a doçura das tuas asas...
Ficando inerte,
Acabrunhada,
Mas agigantada de afeto por seres livre,
E humanamente igual...
Igual a esta ternura que percorre todo um sonho,
E talvez até o meu...

Acalentando tod'uma Vida....






segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

*Contava as horas, bailava no tempo...como delicado sonho...*





Contava as horas,
Imaginando todas as canções refletidas n’alma,
Entoando tudo aquilo que somente o tempo saberia,
Em uniformidade, descrever...

Sonhava de olhos abertos,
Fazendo da suave memória,
Seu único caminhar...
Uniformizando, em pequeno embrulho e num laço rosa,
A verdadeira forma de tamanho sentimento,
Compor e eternizar...

Hoje, numa valsa solta ao sol poente,
Baila em luz,
Quando as mãos desenham tanta procura,
Que se finda,
Ao pousar os olhos dentro da tua imaginação,
E não mais ousa duvidar do que está escrito,
E do que está definido...



Mas sorri...
Sorri em malabares por todas as vezes que pressente tão doce presença...



E almeja...


Almeja numa cascata de esperança, nunca mais ser breve,
E deixa escrito num bilhete, por debaixo da porta,
A ousadia de esperar que por ela passe,
Sem impedimentos,
Para que viva,
Sinta,
E comungue em uníssono todos os pensamentos,
Sonhos e a inspirada comunhão...

Sabe que estarás lá,
Ao alcance dos dedos,
Trêmulos de amor imenso...

Sem julgar o desvario das horas,
Apenas aguarda que a viagem recomece...
Que o encontro tardio torne-se intenso...
E que o amanhã seja perene e santo,
Coroando em tom carmim,
Um beijo eterno,
Que colorirá a tua face...




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

* Quando esse poema se tornar saudade *



Quando esse poema se tornar saudade,
E teimar em fazer dos teus olhos,
Um jorrar de palavras em arco íris,
Saberás que aquele tempo,
Outrora silencioso e passageiro, que falseou as horas,
Continuará encantando a beleza das horas enternecidas,
Que passo ao teu lado, em grandeza do tamanho do mundo...

Abraçarei essa saudade itinerante,
Espaçada numa curva perfumada das tuas mãos
Que me inebriam pelo toque,
Em meus ombros desnudos,
Nesse desejo imensurável,
Cambaleante,
Feito peregrino sedento de lábios...

Da varanda acastanhada dos meus olhos,
E das pupilas brilhosas dest’alma,
Observo-te em dissimulações,
Chamo-te em calor incendiado, na minha memória...


Tu serás sempre o afeto mais gentil,
A borda mais colorida e tecida em sentimentos brandos,
Permanecendo intacto e flutuante....


Quando esse poema se tornar saudade,
E quando nada mais restar de tão nobre,
E de tão imperioso,
Todo este peito vergado e aspirante,
Guardará segredos soberanos da tua presença...


Uma doce melancolia retorna suave,
Sentida dos teus gestos premeditados...


Uma distância inexistente agora mesmo te alcança,
Em gotículas de amar,
Renascendo no espaço ínfimo que deixaste aqui,
Em minha moradia, aquecida em versos tênues, numa tonalidade única...

Alcançarei o horizonte do teu corpo,
Em estado de graça,
Comemorando a vida nesse silêncio atemporal,
Transparente...
Transbordante de sabor sigiloso,
Vestido da nossa comunhão...

Sem refúgio...
Sem paradeiro ...
Escrito no livro da vida, no caminho do vento,
E no ar da noite Sagrada...
Que jamais se extinguirá,
Ao encalço de todas as horas...


...Quando esse poema se tornar saudade....