sexta-feira, 24 de abril de 2015

*Diga-me (do teu jeito)*




Diga-me,
(sem que precises de muitas palavras),
Das mágoas que te ferem a alma,
Das tristezas que te invadem o caminho.
Diga-me (com calma).
Tens em meu colo,
O teu ninho.

Diga-me,
(ainda que seja com os olhos úmidos),
Desta enormidade de sentimentos,
Das dores que te rasgam o peito.
Diga-me (do teu jeito).
Tens em meus ombros,
O teu alento.

Diga-me.
Deste sonho que te acompanha noite adentro
(dormistes, sem perceber).
Das pequenas coisas construídas.
Da tua alma carente.
Impotente.

Mas diga-me de coração aberto,
Sem medos,
Sem anseios.
Em teus devaneios.

E se te faltarem as palavras,
Por terem coisas que não cabem no peito,
(e é longa a madrugada),
Não digas nada.

Aninha-te em meu regaço.
E descanses em meu abraço.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

*Silêncio (num murmúrio)*



Permita-me confessar,
Em baixa voz,
Dessa doçura que sai dos teus lábios,
Em dádiva divina.
Porque o meu rosto,
Tem para ti,
Um sorriso largo.
Maior do que o próprio mundo.

Permita-me fechar a boca,
Nesse silêncio represado.
Que ainda que sufoque,
E amordace,
Consome palavras que não sei expressar.
Letras tortas.
Meio mortas.

Permita-me dizer-te,
(Não sem esforço),
Dessas coisas que mereces ouvir:
Sei (e sabes da mesma forma também),
Que tudo o que te direi,
Morrerá em segredo,
Aqui dentro.

Atiro frases soltas.
Arranco para ti versos fartos,
Dispersos.
Desconexos.

São coisas faladas.
Ditas.
Sentidas.
Que amadurecem,
E que ficam suspensas.
Entre uma confissão,
O perdão,
E o profundo silêncio.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

*Entardecer (numa só verdade)*



Cai a tarde morna,
Afogada em sorriso leve,
E no vidro baço da memória,
Entardece o teu olhar.

Abraço estrelas,
Apagadas na aridez de palavras mudas,
Sem gestos,
Que se despedem do viço de outrora.

O lume do olhar,
Acena à saudade, de longe,
Rasgando espaços do firmamento,
E a ti não encontro mais,
Nestas pétalas murchas,
Que o outono empurra, teimoso,
Tão frio e sem guarida.

Nunca te soube, quiçá em imaginação,
E nas letras, que pelas lágrimas escorrem,
O peito teima.

Teima em ardente chama que o vento apaga,
E o perfume de jasmim,
Que colore os dias agora desbotados,
Esvoaça por entre os dedos.

Amanhecerás em poesia,
Decantada
E encantada, numa saudade?

Esvazio-te de minhas mãos,
Deixo-te um sonho embriagado,
E por querer-te demais, nesta impossibilidade,
Beijo o silêncio,
Que a brisa leva, ao encontro da tua despedida

*Nunca (por ser eterno)*




Nunca te imaginei feito um verbo,
Parido em meu ventre de amor,
Ao dar a luz aos meus olhos,
Perdidos na dor.

Nunca te senti na intimidade,
Em alma materna,
Que doa a vida,
Em misericórdia,
Alegria tão sentida.

Nunca te senti ao léu,
Feito órfão abandonado,
A procura da esquecida identidade,
No reencontro da felicidade.

Nunca (por ser eterno),
Amei-te tanto,
Feito embalo de canção de ninar.
A soar,
No sorriso infantil do teu sono.

Quando finda todo o meu pranto.

**Inebriante** (a nós)



Das mãos,
Trago-te alento,
Em dias sofridos,
Em que tudo no peito dói.
Mas não destrói.

Dos gestos,
Mostro-te (se quiseres) um caminho de luz,
Por estradas desconhecidas,
A mim e a ti,
A serem percorridas.

Da voz (esta que conheces),
Sonorizo-te o embalo de uma canção,
Composta numa só partitura,
Regida por duas vidas,
Infindas.

Mas do carinho,
Resta-te (a nós),
Este perfume inebriante,
Marcante,
E demasiadamente intenso.

E basta.

É tudo o que fica.
E tudo o que testifica.
Quando entre nós,
Não perdura, nunca,
Uma despedida.

**Entrelaçado**


Da tua voz,
Falta-me um som.
Imperceptível,
Aos meus sentidos, audível.

Da tua pele,
Falta-me o cheiro.
Instigante.
Ao meu olfato, inebriante.

Dos teus olhos,
Falta-me a malícia.
Fatal.
Ao brilho dos meus, imortal.

Do teu corpo,
Falta-me quase um nada.
Tenho-o presente.
Irreverente.
Intenso e quente.

E num único querer,
Fica assim,
Eternamente,
Entrelaçado ao meu.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

*Anjo (feito homem)*



Não me livres deste mal,
Que contorce a minh’alma,
Por ter-te aqui (ao lado meu),
Guerreiro, em proteção.

Unge meu peito,
Em luz celestial, que esparge deste amor,
Não irreal.

Santifique a minha (e nossa),
Vida.
Bendita.
Nunca interrompida.

Anjo (feito homem),
Descido do céu (em carne viva),
Une a tua fronte,
À minha fonte.

Estejas aqui (pelo tempo certo),
Em eternidade.
Total cumplicidade.

Em tuas asas (vivas em mim),
Desfaça os erros.
Apague os medos.

Tua vinda (inesperada),
Transformou a minha vida,
Em uma única Vida.
E quebrantou a minha saudade.


Feito Anjo.
Feito Homem.