domingo, 19 de abril de 2015

Miudezas (em palavras) – parte I





Do que verte entre os meus dedos,
Inconsequentes,
Irreverentes,
Em candura pela tua face,
Desabrocha um pequenino verso.
Um alento.

Tua suavidade em sentimentos,
O palpitar de alma tão sublime,
Esmiúça em verbo a sublimidade d’um coração,
Que de ternura é lançado pelo vento.

Flor marcada por espinhos,
Em cujas pétalas,
Macias e doces como o linho,
Transbordam aromas de alecrim,
Bordando infinita paz.

Constelações em estrelas brilhosas,
Reverenciam tamanha enormidade que me sai do peito,
Assinalando a nobreza,
Numa fronte perfumada.
Iluminada.

Miudezas.

Que embora, de tal forma, sejam tão pequeninas,
Engrandecem o coração dos que choram.
Dos que aguardam.

Pela simples dádiva da tua presença.
Pela simples dádiva de uma única certeza:
A vida


Em seu esplendor e beleza.




sexta-feira, 17 de abril de 2015

Existência (dos teus olhos)



Há uma grandeza de sentidos,
A cada rosnar,
Em presença da dor.

Há uma leveza de sonhos,
A cada fuga,
Em gestos de medo.

Há uma brandura no peito,
A cada presença sutil,
Em virtudes do bem.

Há generosidade,
Cumplicidade,
Afinidade.

Há tantas coisas deliberadas,
Em cada momento rasgado.

Há também os teus olhos.
Esmiuçados e bailarinos.
Indefinidos.

E ficam assim.
Todas as vezes,
Em que a tua alma,
Consegue encontrar a minha.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Abandono (em fina porcelana) – parte III




Trazias sorrisos,
Aflorados nos lábios,
E desacreditados do meu mundo.

Falavas em surpresas,
(e sempre me perguntavas: preferes porcelana ou cristal?).
E tudo me era estranho,
Fino e quebradiço.

E do tempo,
Só agora transformado na mais fina areia,
A cegar os olhos,
Percebo que quebrastes tão delicada porcelana,
Do que em mim existe.

E deu-me pena.
Quebrastes a tua própria vida.
E não me dói.

É pó.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Abandono (sem eira nem beira) – parte II





Estás atrasado.

Nesta espera que me falta,
Medida em sentimentos,
Calculada em versos ausentes.

Estás atrasado.

Nestes segundos que me ferem,
A cada pulsar do tempo,
Em relógio parado.

Estás atrasado.

Um olhar não olha para trás.
Saudade não tem companhia.
Saudade vive só.


Estás atrasado.

sábado, 11 de abril de 2015

Abandono (nos versos) – parte I


Abandono-te nas letras,
Que não mais respiram,
Por querer-te longe,
Afastado d’um olhar cansado.


Abandono-te no sorriso morto,
Morno,
Nos gestos despencados,
D’alma em voz perdida.


Abandono-te em mente distraída,
Em percepções sem viço,
Pálidas e desconexas,
Apagadas e frouxas.


Abandono-te sem medo,
(na procura da cura).
Sem prosa, sem verso,
Sem deixar o meu aceno.


Abandono-te porque o fim,
Exige um recomeço.
Sem tropeço.


Abandono-te.

(ponto final).

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Oração (num só verbo).

Por ti,
Vergo os joelhos no altar dos meus olhos,
Crucifico a minh’alma,
Em cada pecado teu.

Por ti,
Penitencio os meus dias,
A pão e água,
No jejum da falta que o teu sorriso me traz.

Por ti,
Dilacero o peito,
Num fardo de dor.
E reverencio a cruz que carrego por este amor.

Por ti,
Enclausuro em fé todas as promessas não cumpridas,
Toda santificada oração,
Que alivia o meu fardo.
Numa só rogativa.

Por ti,
Diante de toda dúvida,
E da completa resignação, me coloco em prece.

Como quem espera por um milagre.
Como quem suplica pela eternidade, em baixa voz.
À caminho da minha paz.

À caminho da tua redenção.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sonhar-te.


Tenho-te preso amor meu,
Nas lágrimas do meu sorriso versado,
E chamo-te pelo nome,
Incontrolável,
No encontro de nossas bocas em chama.

Em teu peito descanso a minh’alma,
Quando o teu corpo,
Junto ao meu,
Une-se num querer incendiado.

De todas as palavras,
Que não ouso confessar-te,
Loucamente entregue,
Faço dos teus desejos,
Um queimar profundo da tua obscenidade.

Longas são as noites,
Em que não te tenho insano,
Tornando a lua testemunha única,
Deste movimento que me arrasta,
Que te arranha e que te marca.
Sonhar-te tornou-se a minha adoração,
Que sussurro em calada voz,
Transformando o meu poema,
Em perfeita oração.

Traga-me os teus dias vazios,
Entrega-me as tuas noites solitárias,
Verte a tua alegria num único gesto,
E repousa tuas mãos cansadas,

Ao encontro das minhas.